Depois de ver, mais uma vez, o brasileiro tentando passar o próximo para trás nas bombas de combustíveis, perguntei até onde poderíamos ir com todos os índices de crescimento prometendo o Brasil como uma das potências em foco com essa cultura do jeitinho brasileiro para tudo.
Veja a lógica pode ajudar. Você tem um posto. Paga os impostos em dia. Mas a localização não é tão privilegiada, e ele é constantemente assaltado. Paga os impostos mas não tem segurança pública. Então paga uns polícias para proteger o seu posto, ou a uma milícia, o que seja. O seu lucro cai, e se você aumenta o valor da gasolina imbutindo este custo “extra”, perde clientela. Para que isso não aconteça, compra um dispositivo para enganar a bomba e economizar, equilibrando novamente as contas. Logo, quem paga a conta são os consumidores.
Pensando em um âmbito maior, você paga o “extra” por segurança e pelo dispositivo, depois paga para não ser pego pela fiscalização, que paga ao poder público para apertar o cerco destes postos, pois isso dá muito lucro! É uma pirâmide onde todos ganham, e quem paga somos nós, cidadãos comuns. E você acha mesmo que uma reportagem vai fazer alguma diferença?
A burocracia no Brasil é tão evoluída que ela mata qualquer tentativa de se desvendar qualquer esquema onde muitos ganham. Vide Tropa de Elite 2 mostrando como o sistema funciona. E eu estou falando somente de combustível, fora todas as outras formas que se tem de desviar dinheiro público para bolsos particulares. Nunca se roubou no Brasil quanto no governo-máfia lulista, e quanto se deve ter lucrado nas privatizações tucanas? Não importa a bandeira partidária, o problema é a índole da pessoa que está no poder, isso está demonstrado no histórico político brasileiro, com cada um dando o seu “jeitinho” de encher os bolsos e foda-se o próximo.
E o brasileiro, um povo alegre e receptivo, recebe tudo de braços abertos, faz festa para sua própria desgraça, assiste tudo no conforto do seu lar, e se estiver ganhando o seu dinheirinho e bebendo sua cerveja, vai continuar batendo palma pra maluco dançar (e roubar). Depois dizem que os europeus são frios e individualistas. A única diferença daqui é que não somos frios…e foda-se o resto.
Um exemplo? Briga política na região serrana do Rio. Passou-se um ano e quase nada foi feito depois da chuva devastar cidades. O dinheiro e a ajuda não chegaram por simples disputa política, ou seja, provavelmente de dois indivíduos. Vai me dizer que isso não explica o “foda-se o resto” do parágrafo acima?
Por essas e outras que o Brasil será o eterno país do futuro, pois quando se enxerga a oportunidade lá longe, mas tangível, bate aquela preguiça e a gente senta em frente a TV achando que tudo vai cair do céu, que uma hora vai chegar, vai melhorar. E assim, sem a impunidade devida, continuamos a remar nosso barquinho na imensidão do mar, sem vislumbrar nunca a terra firme.
Pra frente Brasil, salve a seleção…